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Vasco Gargalo no AET
Por Maria Teresa Portal Oliveira (Professora), em 2015/03/27712 leram | 0 comentários | 155 gostam
Vasco Gargalo, ilustrador, cartoonista e caricaturista, esteve na Escola Básica das Taipas, pelas 15 horas do dia 19 de março, para um encontro com as turmas do 8ºB e do 7ºH.
Este artista de Vila Franca de Xira já tinha estado, durante a manhã, na Escola Básica do Pinheiral a propósito da ilustração do livro “Lendas Encantadas”.
Apesar do público da EB23 estar mais virado, devido ao programa de Educação Visual, para as suas facetas de cartoonista e de caricaturista, o artista falou sobre ilustração e algumas noções desconhecidas pela maior parte das pessoas: é o ilustrador que distribui o texto pelas páginas e decide como será a capa e a contracapa, sendo o autor consultado, como é evidente. A página nobre onde o texto deve cair é a da esquerda, embora hoje haja uma grande liberdade. Para trabalhar tem sempre de começar pelo desenho à mão. Foi convidado para ilustrar o livro “Martim, o menino assim” da coleção “Não somos todos iguais” da Associação Pais em Rede (Editora 0 a 8), que fala de um menino autista. Também ilustrou capas de CD e faz/ fez publicação online.
O gosto pelo desenho vem desde pequeno e os professores incentivavam-no e gostavam do que viam.
Foi influenciado na área do cartoon e da caricatura por duas grandes figuras que admira: Rafael Bordalo Pinheiro (precursor do cartaz artístico em Portugal, desenhador, aguarelista, ilustrador, decorador, caricaturista político e social, jornalista, ceramista e professor) e Stuart Carvalhais (introdutor da BD em Portugal, desenhador, ilustrador, fotógrafo, realizador de cinema, ator, decorador, cenógrafo, figurinista e designer gráfico).
Fez cartoons para o Público, o Diário de Notícias e outros jornais. Interrogado, confessou já lhe ter acontecido ter feito um cartoon que foi “censurado” e não foi publicado.
Na caricatura, começa pela testa e pelo nariz, no cartoon começa por construir a ideia. Também existe muita caricatura no cartoon, mas o que a preocupa é a transmissão da imagem que tem de ser mordaz. “Mais vale uma imagem do que mil palavras”, por isso o cartoon que faz é basicamente em imagem. Não utiliza um texto, apenas um título e símbolos, pois, na sua opinião, o humor no cartoon tem mais força sem diálogo. Por vezes a ideia é desenvolvida ao longo do processo. Por exemplo, num cartoon em que os políticos da Europa seriam ovelhas e a Angela Merkel pastora, depois transformou-a em tosquiadora, quando já estava a fazer as ovelhas.
O cartoon não deve ser levado demasiado a sério. Só uma vez retratou Maomé e, quando houve os atentados ao Charles Hebdo, disseram que um jovem cartoonista português já o havia retratado e, nessa altura, teve um certo receio. Aliás, nunca a profissão de cartoonista foi tão badalada como depois dos atentados. Tornou-se uma profissão mediática. Sem dúvida que os cartoonistas “fazem riscos e correm riscos”, mas a liberdade de expressão também tem de ter limites, embora o cartoon exija mordacidade e ferir suscetibilidades, só que com conta, peso e medida.
Atualmente, obriga-se a fazer um cartoon todas as semanas, tenha ou não sido encomendado. Adapta-se a qualquer tipo de cliente, pois tem grande versatilidade. Fez um trabalho para a Amnistia Internacional que exigiu que mudasse um bocado o estilo e assim aconteceu.
Considera que o seu maior prémio é o filho. Na área de desenho ganhou, em 2009, o prémio Stuart Carvalhais, tinha acabado de sair de uma escola de artes. O reconhecimento é sempre bom. Gosta de trabalhar sozinho, não se sentindo à vontade a trabalhar ao vivo, pois isso obriga-o a sair da sua zona de conforto.

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