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Um dia na ilha com Raul Brandão
Por Sérgio Ribeiro da Silva (Leitor do Jornal), em 2017/03/28250 leram | 0 comentários | 85 gostam
Todos sabemos quem foi Raul Brandão?
Eu escrevi este texto a partir do livro "As ilhas desconhecidas", no âmbito do concurso #rbcool, e decidi partilhá-lo convosco.
Caso queiram saber mais , visitem https://padlet.com/rosarioborralhe/raulbrandao.
Num dia soalheiro, parti para os Açores. Após um ano intenso de estudos, este fora o meu prémio por umas excelentes notas.
O dia estava lindo. O mar azul era de uma profundidade imensa, parecendo levar-nos, lentamente, para um mundo diferente e assustador. “Um ponto e acabou o mundo. O nosso mundo agora é outro”, como escreveu Raul Brandão, ao relatar a sua partida para as ilhas da Madeira e dos Açores.
Depois de muito navegar, como se navega quando se lê, sobre o descomunal oceano Atlântico, cheguei àquela sublime ilha, a ilha de Santa Maria. Aquela ilha que se desvenda entre as névoas, aquela ilha que tem tudo “azul emergindo do azul”. Ilha doirada com sombras a escorrer pelas voluptuosas e verdes serras, montanhas de um manto verde, tão altas que quase tocam no imenso, azul e lindo céu, que com o aparecer da noite se torna cinzento, fazendo desvanecer as sombras. Após ler “As ilhas desconhecidas” de Raul Brandão, que me serviu de suporte para esta viagem, compreendi as suas emoções ao deparar-me com esta beleza selvagem, de um colorido estonteante e perturbador. Os relatos da sua viagem às ilhas, para quem como eu lá estava, eram tão fiéis ao cenário que se desvendava perante os meus olhos, que se podia dizer que este escritor “pintava com palavras”. Cada relato seu, tão cheio de cor, pormenor e movimento, permitir-nos-ia pintar uma tela, mesmo sem lá ir. Eu tive o privilégio de ler este belo livro e poder ver com os meus próprios olhos esta beleza singular. Posso dizer que o livro me permitiu visualizar na minha mente imagens bem semelhantes a esta realidade.
Foram umas férias deslumbrantes. Visitei várias ilhas para além desta, e em todas aconteceu o mesmo: os relatos de Raul Brandão anteciparam o meu espanto, perante a beleza natural com que sempre me deparei. Tivesse eu a capacidade de escrever assim. Um relato impressionista, cheio de luz e movimento, utilizando pinceladas soltas em cada página escrita, tal como um pintor ao dar cor às suas emoções numa tela.




Deslumbrado

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