Os Pequenos Jornalistas
Pesquisa

PJ das Taipas entrevistaram vereadora da Educação
Por Maria Teresa Portal Oliveira (Professora), em 2015/07/07403 leram | 0 comentários | 158 gostam
A 9 de junho, os alunos da Oficina de Jornalismo do 7ºC e do 8ºC entrevistaram, na Câmara Municipal de Guimarães, a vereadora da educação - Drª Adelina Paula Mendes Pinto.
Cheios de curiosidade, foram lançando as perguntas a que a vereadora da Educação, da Biblioteca, do Arquivo e dos Recursos Humanos foi respondendo com grande à-vontade e animação.
Muitas informações foram transmitidas na longa entrevista (45 minutos), de que ressaltamos as seguintes: as funções de uma vereadora da Educação é “fazer coisas, lançar projetos, contactar com as pessoas”, a dos Recursos Humanos é “avaliar, distribuir pessoal, assinar horários, contratar pessoal”. Das duas vertentes prefere a primeira pela parte criativa de que está imbuída e que, face à maior tecnicidade da segunda, quase não está presente nesta faceta. É muito difícil ser-se criativo na gestão de recursos humanos, embora tenha tentado, como aconteceu com a formação para os 1500 funcionários da CMG, a 18 de junho, nas duas sessões da Workshop “SOMOS EXCELÊNCIA” com o palestrante internacional João Catalão, precisamente porque é uma área permanentemente virada para a resolução de problemas.
Falou do passado, da passagem pela EB2,3 de Caldas das Taipas, uma escola criativa, que lhe abriu muito os horizontes e onde “aprendeu a pensar para a frente”. Relembrou os megaprojetos desta escola e algumas atividades que a marcaram- a Mitologia ao Ave, o Pequeno Autor (um livro publicado pela CMG), o PEPT 2000 e muito mais, reconhecendo que continua a ser uma escola que se demarca pela criatividade e envolvimento em projetos.
Dirigiu o polo de Ponte desta escola (140 alunos) e, mais tarde, foi convidada para criar a EB2,3 de Ponte, que constituiu muito à imagem da Escola das Taipas, a referência que tinha e de que muito tinha gostado. A constituição do Agrupamento Arqueólogo Mário Cardoso já foi um processo mais complicado. Saiu por cansaço, dez anos depois, devido também a problemas de saúde e porque havia necessidade de se injetar sangue novo na gestão.
Foi para o Agrupamento de Escolas Virgínia Moura e o primeiro ano foi terrível, porque só dava aulas e não tinha “mais nada” para fazer. Após um ano sem cargos, com duas horas na Biblioteca em que não a ocupavam, concorreu com um projeto para o 1º ciclo à Gulbenkian que ganhou, tendo a escola recebido uma verba considerável. E assim acabou por ficar como professora bibliotecária a tempo inteiro e depois como coordenadora interconcelhia para Guimarães e Vizela e, mais tarde, como coordenadora na RBE para os concelhos de Vizela, Guimarães, Fafe, Mondim de Basto, Celorico de Basto e Ribeira de Pena. Foram dois/ três anos em que andou muito de carro, mas que valeram a pena pois ficou com um grande conhecimento de várias realidades e de muita gente.
Acabou ligada às bibliotecas porque sempre foi uma leitora compulsiva, apaixonada pela leitura e pelos livros. E referiu aos alunos que a biblioteca é um espaço de construção individual, para se ir ao encontro do conhecimento, para se saber mais e não se ficar apenas com o que os professores ensinam que não chega. Por isso lançou/ vai lançar vários projetos: o “Projeto Pegadas”, que tem a ver com a Capital Verde Europeia, o projeto “Lenço”, o projeto das ciências para o pré-escolar, o projeto de escrita criativa para os 3º e 4º anos…
Uma coisa que a incomoda é não se trabalharem os talentos, já que as escolas estão viradas cada vez mais para o currículo e a descoberta do talento de cada um pode ser a diferença entre o sucesso e o insucesso.
Concordou com a questão levantada ao salientar que, nos últimos quatro anos, tudo quanto se conseguiu com o 25 de abril, se tem perdido. Diz-se que todos têm direito às mesmas oportunidades, o que é falso. Os mega-agrupamentos vieram trazer o caos às escolas, os grandes projetos desapareceram e a formação enquanto cidadãos já não importa, o que está na ordem do dia são as competências. O que mudava na educação, se pudesse, era a forma de encarar o aluno, que deve ser encarado como ser humano e não como um número ou fazendo parte de uma estatística. Há que repensar o sistema educativo e não pensar em números, mas pensar em pessoas, não pensar em alunos, mas pensar no João, no António, na Maria… Há que levar outros profissionais para as escolas: mais psicólogos, mais terapeutas, mais… mais… para não se ter trinta e tal porcento de insucesso.
Acredita na juventude e acredita nos professores, uma classe que tem sido muito maltratada, desgastada e que está desmotivada, pelo que se impõem políticas pensadas para a educação.
E aconselhou os jovens a fazerem o que gostam, pois quem põe paixão no que faz, é feliz e é um ótimo profissional. Qualquer das duas carreiras com que se deparou (professora e política) a motivou, porque gostou e gosta da primeira (estando sempre pronta para regressar à escola) e adaptou-se muito bem à segunda e está a gostar muito do que faz. Quer é deixar uma marca positiva.
Quanto ao futuro, depende de muitas coisas, inclusive do que possa acontecer em 2017 e continua a “sonhar”, pensando já em projetos de animação e apoio à família para o pré-escolar, plataforma online para as escolas, projetos dos talentos, …
Para terminar, foi desafiada a dizer uma frase com que se identificasse e indicou a de SÉNECA “Não há ventos favoráveis para quem não sabe para onde vai”.
Saindo da Câmara, os pequenos jornalistas tiveram uma visita guiada à Biblioteca Municipal Raul Brandão, programada através da vereação. Foi também o autocarro da CMG que transportou os alunos entre a cidade de Guimarães e a vila das Taipas.
Um muito obrigada à senhora vereadora pela disponibilidade e pelo seu gosto pela educação.



Mais Imagens:

Comentários

Escreva o seu Comentário